Em qual prateleira você está??? De que lado você está?

Eu acho essas perguntas não simplistas, me lembram de quando eu morei no RS e tinha 10 anos de idade e me perguntavam: “Qual o seu time? Grêmio ou Colorado?” Essa pergunta me pressionou tanto na quarta série que chegou uma hora que respondi: “Grêmio!”. Porque  preferia azul e por que mal sabia o que era Colorado… E eu que nunca tinha ligado pra futebol virei “gremista” por livre e espontânea pressão… Só pra ter uma resposta, pra ser aceita na nova escola, ser amada? Eu sentia que precisava escolher um lado…

O tempo vai passando e você percebe que não existem só dois lados, que tem mais versões além do vilão e da mocinha e que a mocinha não precisa ser passiva, nem o vilão caricato… Somos múltiplos, complexos, temos vários papéis e não significa falsidade ou falta de personalidade. No entanto… Ops! De repente você vê as discussões e argumentos iguais aos que eu via na quarta série sobre o time de futebol…

No último dia 12 de outubro, postei na minha página do facebook um vídeo do meu show cantando minha composição “Prece” (ainda não tenho registro de estúdio dessa música, só vídeo ao vivo, ele já estava no meu canal do youtube). Publiquei como homenagem à Nossa Senhora Aparecida, sou devota desde pequena e coisa e tal… Como não temos controle das coisas na internet o vídeo viralizou, o que me deixa muito feliz. Em 2 semanas foram mais de 3 mil compartilhamentos, 150 mil visualizações e muitas muitas mensagens. Quem me acompanha, sabe que dedico um bom tempo do meu trabalho a dialogar com o público que interage comigo e nessas mensagens eu percebi algumas coisas que me chamaram a atenção. Ao ler mensagens elogiando a canção e a letra, devoção… E eu responder mostrando outras canções minhas, convidando a conhecer… Recebia mensagens de surpresa e algumas claramente de decepção. “Você não é uma cantora católica?”, “Você deveria compor mais para Jesus!”,  e até umas coisas bizarras criticando a minha roupa “A música é até bonita, mas deveria se vestir como Maria!” Oi???

Esse retorno me fez refletir muito sobre a minha intenção, o que quero dizer e que poder tenho sobre isso. A partir do momento que uma obra vai pro mundo, cada um interpreta e compreende a partir do seu olhar e eu não tenho nenhum, nenhum controle sobre isso. O meu olhar é um olhar ecumênico onde a minha fé não é melhor que a de ninguém, onde a minha devoção à Maria não precisa de um rótulo, uma roupa, nem de igreja precisa. O amor, a fé, a paz que eu procuro está aqui dentro e eu confio em algo maior que está em conexão comigo. Dê a isso o nome que quiser. E continuo com o mesmo pensamento que tinha antes dessa viralização da música, ela emociona até mesmo quem não tem religião, e isso pra mim é lindo!

A prateleira que eu devo estar por compor uma canção assim? Pra mim é a prateleira da minha verdade. Minha fé não se mede pela roupa, pelo lugar onde estou cantando… Jesus veio aqui nesse planetinha e mostrou isso tão “Be-a-bá”, vai entender…

Por fim,  concluí que faço canções para corações abertos. E como não sou shampoo, nem tenho contraindicação, não preciso de um rótulo especificando que “tipo de cabelo/público” deve gostar do que faço ou canto… Cada um que descubra por si, sem amarras, crenças ou normas a seguir. O que peço sempre é o de sempre: antes de julgar experimente, sinta, ouça, depois escolha o que preferir.

Tags:
6 Comentários
  1. Renata Estevam 10 meses atrás

    Você é Maravilinda sem fim. Amooo quando você escreve. E essa canção é amor, luz, todo sentimento lindo que possa existir.

    • Autor
      Lilian Oficial 10 meses atrás

      oooo minha querida, eu que agradeço o incentivo de sempre! beijão

  2. Cris Reis 10 meses atrás

    Arrasou s3

  3. Anne Karolyne 10 meses atrás

    Eita! Prece chega aos nossos ouvidos com uma força incrível. É lindo ver você sendo você. Continue. E escreva mais!

Envie uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

ou

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?