Esta está no grupo das minhas histórias preferidas!

Meu nome completo de nascimento é Lilian Rodrigues (sim, somente Rodrigues). Sim, eu sei que até aí não há nada demais…

A parte boa é quando alguém puxa aquele assunto: “Ah, Lilian, você é Rodrigues, por acaso você é parente de fulano?” Ahhh, eu adoro responder aquele seguro e certeiro: NÃO! “Mas, e de sicrano?” É aí que mostro a  Sherazade que há dentro de mim: “também não sou parente não…  Na realidade não tenho nenhum parente distante, ou que não conheça, que seja Rodrigues!” Ninguém resiste! E eu sempre conto a história de meu nono “Rubi” ( lê-se “Rúbi”, que na realidade se chama Celso, vai entender…)

Bom, meu “Rodrigues” vem do meu avô paterno e literalmente nasceu com ele. Sim, isso mesmo! Meu noninho nasceu na Serra Catarinense, não sei exatamente em que cidade e lá se vão oitenta e alguns anos… Sua história é daqueles enredos de novela, filho da empregada com o patrãozinho da fazenda, o filho do patrão… Adivinhem o que aconteceu? A jovem empregada engravida… E não há final feliz… A história que ouvi desde criança é que quando meu noninho nasceu ela o entregou pra umas pessoas e só fez um pedido: “Quero que o nome dele seja Celso.” E assim se fez! Mas, quando foram registrar o menino que cresceu meio largado numa fazenda da serra catarinense, veio a questão: “Como registrar uma criança sem sobrenome? Precisamos de um sobrenome!” E foi então que um personagem indefinido desta história disse: “Celso combina com Rodrigues!” e FIM!

Noninho Rúbi, eu e Nona Líbera (que já tá no céu) Foto: Ampulheta

Noninho Rúbi, eu e Nona Líbera (que já tá no céu)
Foto: Ampulheta

Mas, fora este enredo bonito pra eu incrementar  meus causos, tem a história do Seu Celso Rodrigues, o Seu Rubi, como é conhecido em Lauro Müller… Ele não teve oportunidade do letramento dos livros, cresceu por alí na fazenda, meio sem lá nem cá, foi tropeiro  daqueles de descer a serra do Rio do Rastro no lombo de burro levando gado lá pras bandas de Criciúma… Casou, criou seis filhos, comprou suas terras e fez sua vida sem precisar de nada nem ninguém… Ah, o verdadeiro pai, de família tradicional e de sobrenome “Vieira”, casou e  formou todos os seus vários filhos “doutores”, por ironia meu noninho analfabeto… Antes de morrer (eu era bem criança, mas lembro um pouco) quis conhecer o filho bastardo, foi procurá-lo na casa onde morávamos, eu lembro da conversa dos adultos, da expectativa de como seria o encontro… Ele pediu perdão, eles choraram e pouco tempo depois ele morreu, meu bisavô… Os irmãos de meu nono, todos mais novos que ele, também quiseram conhecer meu nono após a morte do pai e ao encontrá-lo desabavam de chorar, pois era consenso que ele era “igual ao pai”, “a cara do pai”, o filho mais parecido… Acho tão bonita esta história, só de pensar já molho os olhinhos… E isso é herança do noninho, ele é muito sensível e chorão! E esta foi uma herança que ele distribuiu para todos os seus “Rodrigues”,  todos chorões!

Portanto, bem que eu queria ter parentesco com Lupícinio, Nelson, Jair, e mais uma penca de Rodrigues importantes por aí, mas não sou não e pode ter certeza que não!

Texto publicado no antigo Blog em 2011.

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