Cantar sempre foi relativamente fácil, confortável, lugar tranquilo. Na criação eu descobri minha profundidade, me conheci mais, entendi meus medos, encarei minhas questões mais pessoais. Compor já foi muito dolorido, hoje é bom, viciante, solta uma energia vibrante no meu corpo.

Cantar uma composição minha é atravessar nua uma rua lotada de desconhecidos. Ser vista, analisada, julgada sem precedentes. Eu paro, olho escondida por alguma fresta, sinto frio, penso em desistir, faço planos para não ser notada,  tento me cobrir, não encontro nada e me cobrir sufoca.  Ficar alí também não é mais uma opção.

Por fim, eu olho fixamente para onde quero ir, chacoalho meu corpo e corro.

Do outro lado, alguém me acolhe com um cobertor, me abraça e eu sigo aquecida.

São tantas ruas ainda pra atravessar… 

Foto: Alice Venturi

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